O Favelas Verdes Resilientes, iniciativa do Movimento de Defesa dos Direitos dos Moradores de Favelas de Santo André (MDDF) com apoio da Guajava, Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André (SEMASA) e Prefeitura de Santo André, é implementado na região da Nova Centreville, em Santo André (SP).

O projeto integra o edital Periferias Verdes Resilientes e tem como foco o enfrentamento dos impactos das mudanças climáticas em territórios vulneráveis, por meio de Soluções Baseadas na Natureza (SBN). Entre as ações previstas estão oficinas participativas, mutirões de arborização, implantação de jardins de chuva, hortas comunitárias, viveiros de mudas, capacitação em compostagem e outras atividades propostas pela comunidade. O projeto busca fortalecer a resiliência hídrica e enfrentar problemas como enchentes, descarte irregular de resíduos e altas temperaturas, promovendo planejamento participativo e formação técnica da comunidade.

Lançamento do projeto 04/03 – Foto: MDDF Santo André

Na quarta, 04/03, foi realizado o lançamento do projeto Favelas Verdes Resilientes na região Nova Centreville, em Santo André. A atividade reuniu representantes do MDDF, da Secretaria Nacional de Periferias, do Ministério do Meio Ambiente, do Semasa e da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação da Prefeitura de Santo André, além das consultorias Guajava, Árvores Vivas, Rios e Ruas e Nome aos Rios, bem como moradores e moradoras do território.

O encontro, que aconteceu no Posto Territorial do programa Periferia Viva, começou com a apresentação do projeto, das parcerias e da metodologia de trabalho, seguida pela atividade de expedição conduzida pelo Instituto Rios e Ruas e o Coletivo Nome aos Rios.

A expedição passou pelo Parque Guaraciaba e por diferentes pontos da região, contribuindo para o mapeamento inicial da bacia do Córrego Cassaquera e para a identificação de desafios e oportunidades para o território.

Reunião técnica 03/03 – Foto: MDDF Santo André

No período da tarde, e no dia anterior, as instituições participantes se reuniram em reuniões técnicas de sistematização, discutindo o planejamento participativo e possíveis arranjos de Soluções Baseadas na Natureza (SBN) que poderão ser implementadas ao longo do projeto.

Esse foi apenas o começo de uma caminhada coletiva 🌱

O Favelas Verdes Resilientes é realizado pelo Cidades Verdes Resilientes, Periferia Viva, Periferia Sem Risco, SBN, Ministério das Cidades, Governo do Brasil e MDDF – Movimento de Defesa dos Direitos dos Moradores de Favelas de Santo André, com apoio da Prefeitura de Santo André, Semasa, Guajava Arquitetura da Paisagem e Urbanismo, Instituto Árvores Vivas e Instituto Rios e Ruas.

Projeto Favelas Verdes Resilientes implementa primeiras jardineiras de chuva em oficina de Soluções Baseadas na Natureza (SBN) em Santo André

Atividade realizada pelo MDDF reuniu 50 participantes em caminhada pelo território e construção coletiva de soluções para o bairro do Centreville – 30/05/26

Santo André, junho de 2026 – O último sábado, 30 de maio, marcou um novo passo do projeto Favelas Verdes Resilientes no Centreville, em Santo André. Realizada pelo MDDF (Movimento de Defesa dos Direitos de Moradores de Favelas de Santo André), a terceira oficina de Soluções Baseadas na Natureza (SBN) reuniu cerca de 50 participantes em uma atividade prática voltada à implementação das primeiras intervenções ambientais do projeto.

Mais do que implantar dispositivos ecológicos, a oficina teve como proposta fortalecer a relação da comunidade com o território e resgatar a memória do bairro por meio das histórias e experiências de seus moradores.

A programação começou às 8h, com café da manhã coletivo, seguido de uma caminhada pelo Centreville. Durante o percurso, moradores, estudantes e equipe técnica percorreram o bairro identificando locais com potencial para futuras intervenções e discutindo os benefícios das Soluções Baseadas na Natureza para a região.

A atividade marcou a primeira aplicação prática de um dispositivo de SBN no projeto: a construção de duas jardineiras de chuva em hortas urbanas do bairro, uma na horta de Seu Fernando, morador da região, e outra ao lado da creche Maria Campos Santos. Os participantes foram divididos em grupos e colocaram a mão na massa para construir os sistemas e resgatar a memória da comunidade.

As jardineiras de chuva funcionam como estruturas capazes de captar e filtrar a água da chuva, reduzindo escoamento superficial e contribuindo para a melhoria da qualidade da água e do microclima urbano. No caso da oficina realizada no Centreville, um dos sistemas inclui captação e armazenamento de água para reuso na irrigação da própria horta.

Segundo Ricane Pombo, fundadora da Guajava e parceira técnica da iniciativa, a oficina representa o início da implantação do conjunto de soluções previsto pelo projeto. “O intuito dessa atividade foi trazer para a prática o primeiro componente de SBN que fará parte do sistema que será entregue ao final do programa. Começamos com um pequeno dispositivo, a jardineira de chuva, que serve para filtrar a qualidade da água e, nesse caso, aproveitar a água da chuva. Essa caixa d’água funcionará como reservatório de reuso, utilizado para irrigar a própria horta”, explica.

“Também conseguimos visualizar áreas de possíveis intervenções no futuro. O projeto não vai abarcar todas elas, mas identificamos locais onde outras SBNs podem ser acopladas ao sistema que estamos desenvolvendo”, acrescenta Ricane.

Para Felipe Palma, coordenador do projeto pelo MDDF, os resultados esperados vão além da implementação física das estruturas. “Como resultado, buscamos não só a implementação do dispositivo em si, mas a interação da comunidade com o território, para que as pessoas gostem de fazer parte e se reconheçam como sujeitos sociais importantes no meio ambiente. E, claro, que saiam sabendo como funciona e possam replicar essas soluções em casa ou em outros locais, disseminando esse conhecimento”, afirma.

O impacto social e educativo da atividade também foi destacado por Guilherme Martins da Silva, estudante do 3º ano do curso técnico em Meio Ambiente da Etec Júlio de Mesquita, que desenvolve seu Trabalho de Conclusão de Curso sobre Soluções Baseadas na Natureza.

“O MDDF está aqui para dar apoio e oportunidade para as pessoas que moram aqui, que conhecem o território pelas próprias experiências. Como conhecer um lugar se a gente não convive nele? Além dos materiais e recursos que estamos construindo, os resultados sociais e culturais, esse aprendizado que está chegando na comunidade, são enriquecedores. Para mim, esse é o principal resultado do projeto”, destaca.

Com foco na construção coletiva e na valorização do conhecimento local, o projeto segue fortalecendo o protagonismo comunitário e ampliando o uso de Soluções Baseadas na Natureza no Centreville, contribuindo para um território mais resiliente, conectado e preparado para os desafios climáticos.

O Favelas Verdes Resilientes é realizado pelo Cidades Verdes Resilientes, Periferia Viva, Periferia Sem Risco, SBN, Ministério das Cidades, Governo do Brasil e MDDF – Movimento de Defesa dos Direitos dos Moradores de Favelas de Santo André, com apoio do Instituto Rios e Ruas, Instituto Árvores Vivas, Guajava Arquitetura da Paisagem e Urbanismo, Semasa e Prefeitura de Santo André.

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