Um tour pelas comunidades de Santo André

5 08 2015

Sábado ensolarado, dia 1º de agosto de 2015. O Projeto Nossas Vilas, Vielas e Quintais, patrocinado pela Petrobras, começa mais um dia de tour pelas comunidades de Santo André. Um ônibus vai passando nas comunidades e os moradores que aceitaram o convite do MDDF para conhecer melhor a cidade em que vivemos e também outros assentamentos – urbanizados ou não – começam a tomar seus assentos.

No núcleo Sacadura Cabral, uma pausa para receber mais moradores e para a hora da dinâmica de apresentação dos participantes. De maneira descontraída, cada pessoa escolheu um parceiro ou parceira para ficar ao seu lado. A regra: não podiam se conhecer. Cada dupla teve tempo para uma rápida conversa, suficiente para saber o nome, o que faz, do que mais gosta, onde nasceu e onde mora, entre outras perguntas. Resultado da dinâmica: descobrimos, por exemplo, numa roda com 15 pessoas, que todas tinham algo em comum: não nasceram em Santo André. Vieram migrando de estados do Nordeste, Paraná e interior de São Paulo, mas escolheram a cidade para viver e aqui estabeleceram sua vida, trabalho, moradia.

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Relatos – Neste momento, é possível ouvir o relato de quem mora no Sacadura Cabral há mais de 30 anos e que conheceu de perto uma das principais agruras dos moradores mais antigos da comunidade, outrora atingidos pelas enchentes, num período pré-urbanização.

Aliás, a urbanização do Sacadura, assim como a de outros assentamentos precários da cidade, demonstra a luta de seus moradores junto ao Poder Público, ao longo de muitos anos. “Esta praça onde estamos reunidos leva o nome da moradora Hilda Pereira de Carvalho, que lutou muito por melhorias para o núcleo”, exemplifica o presidente do MDDF, Edi Ferreira dos Santos.

Depois da apresentação, próxima parada: núcleo Maurício de Medeiros. Entre os participantes, Maria das Neves Ferreira, da diretoria do MDDF. Atualmente residente no conjunto Prestes Maia e ex-moradora do Maurício, faz questão de mostrar para o grupo o local onde já viveu. “Tenho saudade das pessoas, mas não do lugar; já passei muita coisa aqui”, diz ela, se referindo também à constante convivência com o risco de enchente, doenças, perda de bens materiais e imateriais.

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Esta situação ainda é tensa para quem vive no Maurício de Medeiros. A beira do córrego Guararazinho voltou a ser ocupada por moradias absolutamente precárias. Não precisa chuva forte pra levar embora a estrutura das casas de madeiras junto ao corpo d´água. Também é tensa a a vida daqueles que já construíram suas casas em alvenaria, mas estão em igual risco com suas moradias “perduradas” no morro, muitas vezes com 5 andares ou mais. Quando não há espaço na cidade “formal”, uma das “saídas” é “criar” o novo solo, subindo laje em cima de laje. E o risco se perpetua.

Fundamental ressaltar o trabalho da Prefeitura e Defesa Civil, que já notificou e retirou 313 moradias de locais considerados de risco alto e muito alto (das cerca de 322 listadas pelo IPT), como o da Maurício de Medeiros, de onde serão todos removidos, novamente.

Parque do Pedroso – Após o tour, a última parada é o Parque Municipal Natural do Pedroso, uma área de proteção integral, que guarda remanescentes da Mata Atlântica e também o manancial que abastece com água 6% da população de Santo André. Edi aproveita para falar da importância da preservação da mata para a qualidade e a quantidade da água disponível – o que está cada vez mais raro, principalmente nas regiões metropolitanas.

Além de um piquenique comunitário em um dos quiosques do Parque, o grupo teve tempo para contemplar a fauna e flora local e compartilhar suas impressões sobre a experiência e o passeio.

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Esta troca promovida pelo projeto do Mddf Santo André é muito humana e envolve a todos nós. Conhecer a cidade na sua integralidade e ouvir a história de sua gente é um exercício de humildade e cidadania. Mais legal ainda ver que, mesmo com tantas lutas e dificuldades, estes moradores fazem o que fizeram no sábado: saem de suas casas num sábado de manhã para participar do projeto, visitam outras comunidades, contam suas histórias, dividem com carinho um pouco sobre suas vidas com os demais.

Dia 15 de agosto tem visita ao Aterro – E no próximo dia 15 de agosto todos estão convidados a se integrar ao grupo para mais um passeio-conhecimento promovido pelo projeto Nossas Vilas, Vielas e Quintas. Desta vez, o grupo vai conhecer o Aterro Municipal de Santo André – uma grande oportunidade de descobrir o quanto geramos de resíduos todos os dias, qual é a sua destinação e a grande diferença de atuar como corresponsável neste processo, como por exemplo, separando e destinando os recicláveis para a Coleta Seletiva.

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